A formação linguística do docente do ensino médio para atuação com estudantes com TEA
diversidade linguística; políticas linguísticas; formação docente; Linguística funcional; educação inclusiva; Transtorno do Espectro Autista; ensino médio.
Esta pesquisa tem como objeto de estudo o uso da linguagem pelo professor de Língua Portuguesa no Ensino Médio, partindo da compreensão de que a linguagem se constitui como uma prática social, a qual organiza e dá sentido às interações pedagógicas, com foco na atuação junto a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O objetivo desse estudo é analisar o uso da linguagem pelo professor como prática social na interação pedagógica com estudantes com TEA, de acordo com a perspectiva funcionalista da linguagem, compreendendo a língua como instrumento de interação social e construção de significados (Halliday, 1978). Problematiza-se em que medida a formação linguística dos docentes subsidia o uso da linguagem como prática social, na mediação pedagógica, com estudantes com TEA, considerando as especificidades comunicativas e pragmáticas desse público. Nesse sentido, o estudo articula quatro eixos teóricos fundamentais: Linguística Funcional, Educação Inclusiva, Transtorno do Espectro Autista e Formação Docente, estabelecendo diálogo com as políticas educacionais brasileiras, especialmente a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a Lei Brasileira de Inclusão. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa e quantitativa, de natureza descritivo-analítica, realizada com professores de Língua Portuguesa que atuam no Ensino Médio, em escolas públicas urbanas do Maciço de Baturité-CE e região metropolitana de Fortaleza, os quais aceitaram responder ao questionário proposto para este estudo. A investigação focaliza a formação inicial e continuada desses docentes, bem como suas percepções, práticas e dificuldades no trabalho com estudantes com TEA. A análise dos dados busca compreender como a linguagem é mobilizada nas interações pedagógicas, e em que medida as práticas docentes se alinham à concepção de linguagem como prática social. Os resultados evidenciam lacunas significativas na formação linguística dos professores, sobretudo no que se refere à operacionalização de práticas comunicativas inclusivas. Embora os docentes reconheçam a importância da inclusão e demonstrem compromisso com a aprendizagem dos estudantes, observamos dificuldades na adaptação da linguagem às necessidades específicas dos alunos com TEA, sobretudo no que diz respeito à explicitação de comandos, à organização discursiva, à redução de ambiguidades e à mediação de interações em sala de aula. A partir dos achados, reforçamos a necessidade de uma formação docente que integre fundamentos teóricos da Linguística Funcional às demandas da educação inclusiva, possibilitando ao professor compreender e utilizar a linguagem de forma intencional, estratégica e sensível às especificidades dos estudantes.