A PERFORMATIVIDADE DIGITAL NA CONSTITUIÇÃO DISCURSIVA DO SUJEITO NO INSTAGRAM: UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS (RE)PRODUZIDOS EM UMA PUBLICAÇÃO NO PERFIL DA DEPUTADA ÉRIKA HILTON
performatividade digital; gênero; sexualidade; Instagram; interação social.
Esta pesquisa investiga as interações sociais e a constituição discursiva do sujeito no ambiente virtual, situando-se na análise das práticas performativas tecnomediadas nas redes sociais. O estudo fundamenta-se na articulação entre a teoria da performatividade da linguagem, baseada em J. L. Austin (1990) e Judith Butler (2003), e a sociolinguística interacional de Erving Goffman (1959, 1979, 1983) para compreender as dinâmicas de apresentação do self e de negociação de imagens públicas. O objetivo geral consiste em investigar de que forma os usuários do Instagram constroem efeitos de reconhecimento e deslegitimação relacionados às normas de gênero e sexualidade em suas performances discursivas. Especificamente, a pesquisa busca analisar a construção das imagens sociais dos sujeitos diante de temas controversos, identificar o papel dos recursos linguísticos e extralinguísticos tecnomediados na produção desses efeitos e examinar como as trocas interacionais reiteram, tensionam ou reconfiguram as normas sociais. Adota-se como percurso metodológico uma abordagem qualitativa e interpretativista, amparada em pressupostos pós-estruturalistas e socioconstrucionistas, desenvolvendo um estudo de feições etnometodológicas como estratégia para examinar um corpus composto por comentários gerados em uma publicação sobre casamento homoafetivo no perfil da deputada federal Érika Hilton. Para dar conta desse cenário, a pesquisa propõe o conceito de performatividade digital como operador analítico para decodificar o comportamento discursivo sob a lógica de funcionamento e a mediação algorítmica da plataforma. As análises, ainda em andamento, apontam para a manifestação de sequências discursivas marcadas por disputas simbólicas e ideológicas complexas. Observa-se uma predominância inicial de performances de alinhamento e suporte à parlamentar, que atuam na sustentação e valorização de sua face pública por meio de elogios e validação de sua capacidade retórica. Paralelamente, identificam-se movimentos de contestação e reconfiguração nos quais emergem discursos de oposição de teor transfóbico e biologizante, que tentam invalidar identidades de gênero e rebaixar a autoridade discursiva do interlocutor.