POLÍTICAS LINGUÍSTICAS EDUCACIONAIS EM CONTEXTO PERIFÉRICO: UMA ANÁLISE EM FORTALEZA
Políticas linguísticas; Ensino de Língua Portuguesa; Desigualdades sociais; Raça, classe e território; Educação em contextos periféricos.
Este estudo analisa as políticas linguísticas no ensino de Língua Portuguesa em uma escola pública de ensino médio no bairro Sapiranga, em Fortaleza, buscando compreender como essas políticas, propostas sob a ideia de equidade, se concretizam ou entram em tensão diante das condições de vulnerabilidade social dos estudantes, especialmente no contexto pós-pandemia de Covid-19, que aprofundou desigualdades já existentes. A investigação baseia-se em análise documental, incluindo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Documento Referencial do Ceará (DCRC) e o plano curricular escolar, articulando os dados com referenciais teóricos de Spolsky (2009; 2016), Bakhtin (2011), Moita Lopes (2003), Fiorin (2013), Marcuschi (2004), Calvet (2007), Pennycook (2001), Ball (1994; 2012), Freire (1996) e autores que abordam raça e desigualdade, como Gomes (2005), Fanon (2008), Munanga (2000) e Nascimento (2019), permitindo analisar as práticas de ensino da leitura e escrita como fenômenos sociais, políticos e situados. Os resultados mostram que o ensino é condicionado por fatores territoriais, como segurança pública e desigualdades econômicas, educacionais, sociais e raciais, exigindo que professores atuem como mediadores e adaptem suas práticas para promover aprendizagens significativas, incorporando temas de raça, classe e território com sensibilidade. Assim, as políticas linguísticas só se efetivam quando dialogam com as condições reais da escola e da comunidade. A pesquisa encontra-se em fase de finalização da análise de dados, com conclusão prevista para fevereiro de 2026, consolidando uma reflexão crítica sobre a relação entre políticas educacionais, desigualdades sociais e práticas pedagógicas situadas em contextos periféricos.