A MUSEOLOGIA SOCIAL NO MACIÇO DE BATURITÉ: ENTRE O COLONIAL E O COMUNITÁRIO
Museus; Sociedade; Narrativas; Memórias.
Esta dissertação investiga a museologia social como categoria analítica, examinando sua aplicação em museus de temáticas afro-indígena no Maciço de Baturité, no Ceará. Parte-se da premissa de que “todo museu é social”, o que constituí uma ruptura com a perspectiva clássica que tende em categorizar e segregar, de forma rígida, os museus comunitários e os museus coloniais em lugares destintos de análise. Assim, adota-se a museologia social deslocada de seu lugar de origem, pensado criticamente os vários fazeres museológicos. Corroborando com a ideia de que a museologia social é uma construção em rede de um fazer contra hegemônico, em que se pretende uma narrativa coerente com essa construção, foi possível averiguar o quanto a museologia social no Maciço de Baturité tem um papel crucial na promoção da justiça social e na valorização das identidades culturais. Por outro lado, está pesquisa estende as preocupações do campo da museologia social para outros museus, vinculados ao Estado ou as elites locais, abordando tensões e desafios que extrapolam a dicotomia clássica. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, de caráter exploratório-descritivo. O estudo combina um mapeamento dos espaços físicos em locus e pelas plataformas do governo estadual e federal sobre os museus do Maciço, que permitiu identificar e sistematizar as instituições museológicas na região, repertoriando-as a partir de: nome, localização, entidade responsável, forma de gestão, envolvimento comunitário, independentemente de sua categoria comunitária, de elite, ou do Estado. Foram estudadas as seguintes instituições museológicas: Senzala Negro Liberto (Redenção), Museu Comunitário da Serra do Evaristo (Baturité), Museu Indígena Kanindé (Aratuba) e Museu Memorial da Liberdade (Redenção). A identificação dos museus e seus fazeres museológicos concentrou-se nos aspectos: público e educativo, arquitetura e interatividade, formato de coleta de objetos, constituição de acervo, curadoria e exposição, forma de gestão. Os resultados demonstram que existe uma intensa participação social na formação museológica da região em diversos e distintos níveis de socio-interativos. A dissertação concluí que a distinção dicotômica entre museus coloniais e comunitários é insuficiente para compreender a complexidade das práticas museológicas contemporâneas, defendendo, em vez disso, uma abordagem crítica que questione os acervos e curadorias a partir das perspetivas de sujeitos historicamente localizados, uns marginalizados, outros centrados nos seus próprios privilégios socais. Por fim, o estudo está estruturado em quatro capítulos, que percorrem desde a fundamentação teórica da museologia social até a análise dos casos selecionados.