SISTEMAS AGROFLORESTAIS PODEM CONTRIBUIR PARA O ENFRENTAMENTO À EMERGÊNCIA CLIMÁTICA POR MEIO DO SEQUESTRO DE CARBONO?
mudanças climáticas; carbono orgânico do solo; sistemas agroflorestais.
O aumento das temperaturas globais têm causado grandes impactos para os ecossistemas, afetando desde a sobrevivência das espécies, populações e aos ecossistemas como um todo. Em regiões semiáridas, onde ocorrem altas temperaturas e precipitações pluviométricas baixas e irregulares, e que os sistemas de agricultura são altamente extrativista, predominando desmatamentos e queimadas, os sistemas agroflorestais são vistos como promissores, uma vez que podem amenizar as adversidades encontradas pela agropecuária na região. Considerando que os sistemas agroflorestais têm o potencial de sequestrar o carbono, contribuem para a mitigação das mudanças climáticas, trazendo uma abordagem que integra benefícios econômicos e ambientais. Diante desse cenário, no enfrentamento às mudanças climáticas, esta pesquisa pretende avaliar os estoques de carbono no solo e na serrapilheira, em sistemas agroflorestais na região do Maciço de Baturité-CE, determinar os teores e estoques de carbono presentes no solo, identificar o sequestro de carbono nos SAFs, e averiguar a relação solo x diversidade no potencial dos SAFs em sequestrar carbono. A pesquisa será desenvolvida nos municípios de Aratuba, Baturité, Capistrano e Guaramiranga. Serão avaliados cinco sistemas agroflorestais localizados em diferentes posições na paisagem do Maciço de Baturité, sendo dois em Aratuba e um em cada um dos demais municípios envolvidos. Para cada um dos SAFs será avaliado também uma área de vegetação nativa (VN), localizada próximo e com as mesmas características edafoclimáticas. Em cada subsistema (SAF e VN) será determinado o sequestro de carbono, por meio da quantificação de estoque total e de frações. Para a determinação do estoque de carbono no solo, serão avaliados os estoques no solo e serapilheira, serão coletadas 5 amostras de solo em cada área, nas profundidades de 0,00 m a 0,10 m e de 0,10 m a 0,20m; e cinco amostras de serrapilheira depositada em uma área de 0,5m x 0,5m de superfície do solo. O carbono orgânico total (COT) será quantificado por oxidação da matéria orgânica via úmida. O teor de C lábil oxidado por permanganato de potássio (CL); carbono não lábil (CNL) será determinado pela diferença entre o carbono orgânico total (COT) e o carbono lábil (CL). Com base nas mudanças do COT entre um sistema de referência e áreas sob SAF será calculado o índice de compartimento de carbono (ICC), e será calculado o índice de labilidade (IL). O carbono estocado na serrapilheira será determinado conforme Malavolta et al (1989), sendo o aporte de C estocado neste compartimento calculado pela multiplicação do teor de carbono pela massa total da serrapilheira. Os estoques de carbono no solo, serão obtidos multiplicando-se os teores de COT pela densidade (Ds) e camada de solo amostrada. Com a pesquisa espera-se contribuir com a comunidade acadêmica e colaborar com as pesquisas sobre a importância dos sistemas agroflorestais e o potencial no sequestro de carbono na mitigação das mudanças climáticas na região do Maciço de Baturité.