Mobilização da figura do terceiro e estratégias internacionais no Instagram
figura do terceiro, Linguística Textual, argumentação, interação
A presente pesquisa tem como objetivo analisar a mobilização da figura do terceiro em textos publicados nos perfis oficiais do Governo do Brasil e da Prefeitura de Fortaleza no Instagram, investigando seu papel na organização dos processos argumentativos e interacionais e sua produtividade para a análise em Linguística Textual. A investigação fundamenta-se nos pressupostos da Linguística Textual brasileira, especialmente na perspectiva desenvolvida pelo grupo PROTEXTO, tomando como ponto de partida as reflexões de Cavalcante et al. (2022) acerca da figura do terceiro, em diálogo com o modelo dialogal da argumentação de Plantin (2008), com a Teoria da Argumentação no Discurso de Amossy (2017), com as noções de contrato e circuito comunicativos de Charaudeau (2008) e com estudos sobre as interações em ambientes digitais. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza descritivo-interpretativa. O corpus é constituído por postagens publicadas, em 2026, nos perfis institucionais selecionados, considerando configurações interacionais produtivas para os objetivos da investigação, como formas variadas de endereçamento e interpelação do público, estratégias de proximidade, humor, referências culturais compartilhadas e relações intertextuais. A análise é orientada por um quadro enunciativo-interacional adaptado à investigação da figura do terceiro nos tecnotextos, considerando sua construção nos níveis enunciativo e semiótico e o modo como as afordâncias do Instagram participam da configuração das relações interacionais. Os resultados parciais indicam que a comunicação institucional analisada projeta e mobiliza diferentes instâncias para além dos participantes que se manifestam explicitamente na interação, por meio de estratégias de interpelação e de construção de proximidade que pressupõem conhecimentos compartilhados e convocam públicos capazes de reconhecer referências culturais, humorísticas e intertextuais. As análises apontam, ainda, que a figura do terceiro pode ser produtiva para a compreensão de interações que não se organizam pelo confronto característico da modalidade polêmica, manifestando-se também em práticas institucionais marcadas pelo humor, pela identificação cultural e pela busca de adesão. As situações de quebra da quarta parede analisadas permitem observar formas mais explícitas de convocação do público, tornando particularmente relevante investigar os efeitos dessas interpelações sobre a posição do terceiro na dinâmica enunciativo-interacional. Os resultados parciais também evidenciam a necessidade de problematizar as posições tradicionalmente previstas no circuito comunicativo diante das formas de participação possibilitadas pelas afordâncias das plataformas digitais.