ANÁLISE COMPARATIVA DA VARIAÇÃO NA CONCORDÂNCIA VERBAL DO PORTUGUÊS AFRICANO DE ANGOLA E MOÇAMBIQUE NA MODALIDADE FALADA E ESCRITA
Concordância verbal. Variação. Mudança. Português Africano
Esta pesquisa tem por objetivo investigar a variação na concordância verbal de terceira pessoa do plural nas variedades do português africano de Angola e Moçambique, considerando as modalidades falada e escrita. De modo específico, busca- se descrever e comparar os padrões de realização e não realização da concordância, bem como identificar os fatores linguísticos e extralinguísticos que condicionam esse fenômeno em diferentes contextos de uso. O referencial teórico adotado é o da Sociolinguística Variacionista, que se caracteriza por compreender a língua como um sistema heterogêneo e dinâmico, no qual a variação constitui um princípio estruturador, e não um desvio. A partir dos pressupostos labovianos, a variação linguística é analisada de forma sistemática e quantitativa, considerando a atuação de regras variáveis condicionadas por fatores internos à língua e por dimensões sociais, históricas e contextuais. A metodologia empregada é de natureza mista, articulando análise quantitativa e qualitativa. O corpus é composto por dados de fala provenientes do PROFALA e por dados de escrita extraídos de redações de candidatos africanos à UNILAB. A análise considera variáveis linguísticas, como saliência fônica, posição do sujeito e estrutura sintática, e variáveis extralinguísticas, como escolaridade, contexto de produção e modalidade (fala vs. escrita), permitindo uma descrição comparativa e sistemática do fenômeno. A hipótese central desta pesquisa sustenta que a concordância verbal de terceira pessoa do plural no português de Angola e Moçambique apresenta variação sistemática, sendo condicionada por fatores linguísticos e extralinguísticos, além de sofrer influência do contato com línguas de base bantu. Parte-se, ainda, da premissa de que a concordância tende a ocorrer com maior frequência na modalidade escrita, em função da pressão normativa e do maior monitoramento linguístico, e de que os usos variáveis devem ser compreendidos como manifestações legítimas de um sistema linguístico pluricêntrico, não como desvios.