ANÁLISE FUNCIONALISTA DA TRANSITIVIDADE VERBAL NA COLEÇÃO “PORTUGUÊS LINGUAGENS”
Linguística Funcional Centrada no Uso; Transitividade; livro didático; Português Linguagens; ensino de análise linguística.
Esta dissertação investiga o tratamento da Transitividade no livro didático de Língua Portuguesa, tomando como objeto de análise a coleção Português Linguagens, utilizada nos Anos Finais do Ensino Fundamental na rede municipal de Fortaleza. A pesquisa fundamenta-se nos pressupostos da Linguística Funcional Centrada no Uso, que compreende a língua como um sistema dinâmico, moldado pelas práticas de uso, e concebe a Transitividade como uma propriedade da oração, sensível a fatores sintático-semânticos e discursivo-pragmáticos. Como referência teórica central, adota-se a proposta de Hopper e Thompson (1980), segundo a qual a Transitividade se manifesta de forma gradiente, a partir da interação de múltiplos parâmetros. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma investigação qualitativa de natureza documental, baseada na análise dos livros do estudante e dos respectivos manuais do professor. Examina-se, nesse percurso, a relação entre as orientações pedagógicas explicitadas no Manual do Professor e as atividades efetivamente propostas no Livro do Estudante, tomando como referência as categorias de análise definidas nesta pesquisa, a saber, as concepções de linguagem subjacentes às atividades e o modo como o tratamento da Transitividade verbal articula aspectos sintático-semânticos e textual-discursivos. Busca-se, assim, verificar o grau de coerência entre o discurso pedagógico apresentado no Manual, as diretrizes dos documentos oficiais e a materialização didática das propostas, identificando convergências, tensões e lacunas tanto na concepção de linguagem adotada quanto na integração entre gramática e uso efetivo da língua. Os resultados evidenciam que, embora o discurso pedagógico dos manuais valorize uma abordagem contextualizada e discursiva da gramática, o trabalho com a Transitividade nos livros do aluno tende a privilegiar procedimentos classificatórios e explicações de cunho normativo, limitando a exploração do fenômeno em situações reais de uso. A análise aponta, assim, para a necessidade de um redimensionamento das práticas de análise linguística no livro didático, de modo a favorecer uma compreensão mais ampla e funcional da Transitividade, em consonância com os pressupostos teóricos assumidos e com as diretrizes curriculares oficiais.