“ENTRE BAFORADAS DOS CACHIMBOS E AS CHAMAS DA FOGUEIRA SAGRADA: Narrativas de curas e precariedades das mulheres afropindorâmicas que giram no terreiro Pombogira das Almas, em Maracanaú-CE”
Espiritualidades Afropindorâmicas; Mulheres Indígenas; Práticas de Cura; Violência; Religiões Afro-brasileiras.
Esta pesquisa é uma etnografia realizada no C. E. U. Pombogira das Almas, localizado em Olho D’Água, na Terra Indígena Pitaguary, no Ceará. O trabalho acompanha as práticas espirituais, curativas e narrativas das mulheres afropindorâmicas que atravessam o terreiro, observando suas esferas étnico-raciais, territoriais e de suas ancestralidades. O primeiro capítulo conta minha aproximação ao território e às interlocutoras da pesquisa, principalmente Mãe Erenir. Iniciando com um provérbio africano de Exu, com a noção de Sankofa, mobilizo o movimento circular para pensar o retorno às raízes ancestrais e a circularidade do tempo que atravessa a pesquisa e o próprio cotidiano do terreiro. A partir desse momento, discuto as relações entre espiritualidade, práticas de cura e território, considerando os quadros de precariedade, vulnerabilidade e violência que marcam a vida de minhas interlocutoras. No segundo capítulo, mostro mais da presença da encantaria, do luto e da oralidade no terreiro. Cachimbadas, conversas, silêncios partilhados, histórias, sonhos e lendas circulam como uma forma de cuidado coletivo e transmissão de saberes. Com isso, toco na importância da escuta e da partilha onírica na vida espiritual da casa. Por fim, trago no terceiro capítulo duas práticas rituais centrais: cachimbadas e fogueira sagrada. Ao redor do congá ou sob a luz das chamas, a jurema, o fumo e as palavras compartilhadas formam uma roda de fortalecimento e desenvolvimento mediúnico. Nessas práticas, emergem relações entre humanos, plantas, espíritos e mata. A etnografia busca, assim, revelar como essas experiências constituem modos de existir e resistir em meio às tensões territoriais e ambientais vivenciadas por essas mulheres afropindorâmicas.